Conteúdo multiformato (vídeo, SCORM, interativo): como criar uma peça e reaproveitar em vários canais
Em muitas empresas, cada área cria seu próprio material de treinamento: um slide aqui, um PDF ali, um vídeo em outro lugar. O resultado costuma ser previsível: custo alto, mensagens diferentes para o mesmo tema, materiais que ficam desatualizados rápido e uma sensação de que “sempre falta conteúdo” mesmo produzindo o tempo todo.
A alternativa é mudar o jeito de pensar produção: tratar conteúdo como um ativo reutilizável e atualizável, que nasce com uma estrutura-base e pode ser desdobrado para diferentes canais e momentos da jornada (LMS/LXP, campanhas, comunicação interna, reforços para a ponta, onboarding, etc.).
Quando o conteúdo não é pensado como sistema, aparecem cinco efeitos colaterais:
- Duplicação de esforço: o mesmo tema é produzido várias vezes, com formatos e mensagens diferentes.
- Baixa consistência: cada área interpreta o conteúdo do seu jeito; o “padrão” vira variável.
- Atualização difícil: muda um processo e ninguém sabe quais materiais revisar.
- Distribuição confusa: não existe um “lugar oficial” e a pessoa recebe versões diferentes.
- Métrica fraca: fica difícil medir adoção e impacto porque o conteúdo está espalhado.
O problema, no fundo, não é falta de conteúdo, é falta de arquitetura de conteúdo.
O conceito: conteúdo como ativo reutilizável e atualizável
Pensar conteúdo como “ativo” significa criar uma peça-mãe (a base) e planejar seus desdobramentos desde o início. Isso reduz custo, aumenta consistência e acelera atualização. Um ativo bem desenhado tem:
- Mensagem central única (o padrão que não pode variar)
- Modularidade (blocos que podem ser trocados sem refazer tudo)
- Camadas por profundidade (micro → médio → completo)
- Chamadas para ação/prática (para virar comportamento, não só consumo)
- Reuso por canal (LMS, comunicação, reforço, líder)
Em vez de “fazer um vídeo”, você cria uma biblioteca reaproveitável.

Na prática: o fluxo “vídeo → módulo → apoio → reforços”
Um jeito simples e eficiente de operar é seguir um pipeline de produção já pensado para multiplicar entregas.
1) Comece pelo “núcleo” (a peça-mãe)
Escolha uma base que seja fácil de desdobrar. Em muitos casos, o melhor núcleo é um vídeo-base (curto ou médio) com:
- objetivo claro (“o que a pessoa precisa fazer”)
- demonstração ou cenário
- erro comum + correção
- resumo em checklist
Esse vídeo não precisa ser longo. Ele precisa ser bem estruturado e “modular” por tópicos.
2) Derive um módulo para o LMS/LXP
A partir do vídeo-base, você cria um módulo que vira jornada de aprendizagem, com:
- introdução rápida (contexto)
- vídeo(s) em capítulos
- checagem de entendimento (quiz curto)
- tarefa prática (o que fazer no trabalho)
- conclusão com reforço
Aqui, o objetivo é sair do “assistir” e ir para “aplicar”.
3) Crie material de apoio enxuto (1 página)
Em vez de apostila longa, pense em apoio que cabe na rotina:
- checklist do padrão
- passo a passo resumido
- “erros comuns” e como evitar
- o que fazer em caso de exceção
Esse material é o que o time consulta na hora H.
4) Produza reforços (microconteúdos de continuidade)
Reforço é o que sustenta engajamento e reduz esquecimento. Exemplos:
- pílulas de 30–90 segundos (“1 dica, 1 erro, 1 lembrete”)
- cards (imagem + frase + ação)
- quiz relâmpago
- mensagem do líder com um desafio simples
Esses reforços funcionam como “manutenção” do comportamento.
5) Ajuste o formato para cada canal
Com o mesmo núcleo, você entrega em canais diferentes:
- LMS/LXP: módulo com trilha, quiz e registro
- Comunicação interna / campanha: pílulas e cards
- Operação / ponta: checklist e reforço rápido (mobile)
- Liderança: guia de conversa e validação de prática
O resultado é uma experiência consistente, com formatos adequados ao contexto.

SCORM vale a pena quando você precisa de treinamento rastreável e comprovável: registro formal (compliance/auditoria), entrega padronizada, controle de progresso/tentativas e navegação obrigatória. Ele faz mais sentido em temas críticos, repetidos em escala e que exigem evidência em relatórios. Se for só para comunicar algo rápido, pode ser excesso; se for para garantir adoção com registro, é a escolha certa. Em resumo, SCORM vale a pena quando você precisa de:
- rastreabilidade formal (compliance, auditoria, trilhas obrigatórias)
- padronização de entrega em diferentes ambientes
- criticidade (risco, compliance, segurança)
- repetição em escala (muitos públicos/unidades)
- necessidade de evidência (controle e relatórios)
Se o objetivo é apenas “comunicar”, SCORM pode ser excesso. Se o objetivo é garantir adoção com registro, ele faz sentido.
A interatividade vale a pena quando o treinamento precisa desenvolver decisão e julgamento, e não apenas transmitir informação. Ela compensa especialmente quando existem escolhas com consequências (como atendimento, ética e segurança), quando o erro tem custo alto (incidentes, reclamações, perdas, riscos) ou quando a pessoa precisa aprender a “enxergar” situações ambíguas e responder bem na prática.
Alguns bons sinais:
- há escolhas com consequências (atendimento, ética, segurança)
- o erro custa caro (incidente, reclamação, perda, risco)
- você precisa treinar “olhar” e julgamento (situações ambíguas)
- o público aprende melhor praticando do que ouvindo
Exemplos de interatividade útil:
- cenários com alternativas (“o que você faria?”)
- ramificações (se escolher A, acontece X; se escolher B, acontece Y)
- feedback imediato e explicação
Interatividade tende a ser desperdício quando:
- o tema é simples e direto
- o objetivo é só alinhamento
- não há decisão real, só “clique para avançar”
Conclusão: guia de produção “uma vez, muitas entregas”
Conteúdo multiformato não é “produzir mais”, é produzir melhor. Criar um núcleo forte e desdobrar em entregas que cabem em diferentes canais e momentos da jornada. Quando você deriva vídeo em capítulos, módulo para LMS/LXP, material de apoio de 1 página e reforços contínuos, o conteúdo deixa de ser peça isolada e vira ativo reutilizável e atualizável.
O resultado é mais consistência, menos custo recorrente e mais aplicação no dia a dia, porque a pessoa recebe a mensagem certa, no formato certo, no momento certo.
É nesse tipo de construção de conteúdo pensado como sistema e pronto para escalar que a Take 5 Filmes se conecta ao ecossistema do Grupo Take 5: transformar produção em ativos de aprendizagem que se integram a jornadas, campanhas e plataformas, mantendo padrão, agilidade de atualização e foco em resultado.
Grupo Take 5

